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Archive for August, 2007

O Poder dos Pequenos Objetos

Monday, August 20th, 2007

Chaveiro do ex-apê do Will

Suas presenças parecem inofensivas. Passam ao nosso lado vários momentos das nossas vidas. Eles estão ali, quietinhos, com cara de como se não fosse com eles. Mas os anos passam e lá no fim da trilha descobrimos o que eles fizeram com a gente: os pequenos objetos.

Lembro de quando eu era muito pequeno e ganhei um trenzinho musical. Era de plástico, mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos, movido a pilha, e andava sozinho tocando músicas vindas de um disquinho que encaixava na parte superior da locomotiva. O brinquedo vinha com quatro discos, um de cada cor, com uma musiquinha de cada lado. Funcionava com um mecanismo semelhante ao de uma caixinha de música. Estes disquinhos tinham pequenos pinos que ao rodar dentro da máquina iam marcando as notas em um mini tecladinho.

Logo quando cresci minha mãe passou o trenzinho adiante para alguma criança carente (a Dona Sônia tem um grande coração), mas a forte impressão dele ficou na minha mente pelo resto da vida. Tão profunda foi esta marca que décadas depois os tais disquinhos acabaram figurando na capa do primeiro disco da minha banda, a Wonkavision. Claro que não despidos de um conceito pertinente. Na capa são quatro os discos que representam cada um dos integrantes da banda. Quem conhecia o brinquedo até pode vir a entender que cada disco, por ter músicas distintas, representa as preferências musicais particulares de cada um dos “Wonkas”. A ilustração mostra os quatro discos sobrevoando uma cidade semi-destruída. O álbum leva o nome-trocadilho de “Wonkainvasion”.

Mas as lembranças dos pequenos objetos não precisam ser tão remotas. A própria capa do CD poderia tranqüilamente passar pelo cenário de um dos episódios do Spectreman ou Godzilla, ou qualquer produção japonesa de baixíssimo orçamento onde super-heróis e vilões de proporções gigantes ameaçam a segurança da indefesa Tokyo que dorme abaixo de seus enormes pés.
Eis que três anos após o lançamento deste álbum no Brasil, fomos contratados por um selo internacional para um relançamento do disco no exterior. De onde era o selo? Bingo! Tokyo.

Coincidência? Bem plausível. Mas seja como for, este tipo de influência sobrenatural dos pequenos objetos continua a assombrar minha vida. Vida que aliás anda beirando fortes mudanças.

Há cerca de um ano minha namorada e eu decidimos fazer mestrado fora. Foi um ano preparativo nada convencional, pois são várias etapas até sermos aceitos nas universidades, comprovarmos recursos, emitirmos os vistos, etc. Queríamos encontrar um lugar, de preferência na Europa, onde houvessem boas universidades e uma boa tradição acadêmica em nossas áreas. Depois de alguma pesquisa, muita conversa e alguns tiros de dardos em um mapa-mundi, completamente nus e vendados, optamos pela terra do meu xará Shakespeare, o Reino Unido.
É óbvio que a idéia de estarmos em Londres, o centro do mundo, sendo assim, “rockeiros”, ajudou bastante na escolha.

Mas esta é uma influência mínima se comparada à descoberta que fiz no momento em que devolvia as chaves do meu apartamento alugado na imobiliária.

Coloquei as chaves na mão da atendente e somente então me dei conta do chaveiro que ganhei de presente e que carregava comigo há vários anos.

O chaveiro é este da foto (scroll up, baby!). E eu estou indo no fim de Agosto.

Farewell my friends,

Upside Down ll!M

PS: Não, a Wonkavision NÃO vai acabar. É apenas mais um passinho para a dominação do mundo.
PS2: Disco novo na finaleira da gravação. Novidades por vir.