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Archive for the ‘Mind Maps’ Category

Tarnation de Jonathan Caouette

Thursday, May 24th, 2007

Jonathan Caouette - Tarnation

Ontem minha namorada e eu fomos assistir à exibicão do filme Tarnation, do agora cineasta Jonathan Caouette, o qual estava presente na sessão e comentaria o filme após sua exibição.

O filme é um híbrido realidade-ficção (95/5) feito de reciclagem de documentações em diversas mídias captadas pelo próprio diretor no decorrer de 20 anos de sua vida.

Caouette conta a história da sua família disfuncional através de filmes super 8, VHS, betamax, fotos e mensagens de secretária eletrônica, tudo editado no iMovie, dentro de um iMac que ganhou da tia do seu namorado.

Não vou me estender muito na descrição, pois vocês podem encontrar informações sobre o filme na web. Mas apenas para situar, fiz um enxuto mindmap das principais relações da vida de Jonathan (lembre-se de ler o mapa em sentido horário começando as 12h).

Tarnation MindMap

Algumas considerações:

1. Algo que a maioria de nós jamais terá.

Jonathan tem algo que a maioria das pessoas jamais terá: a oportunidade de rever seu passado infinitas vezes numa tela de cinema ou TV.

A primeira coisa que me veio a mente foi pensar se esta superexposição ao filme do seu próprio passado não faz com que ele se desatache da sua vida, passando a enxergá-la como ficção, e assim ficando cego em relação a miséria da realidade. Quanto mais vê, menos enxerga. Normalizando a montanha russa de sentimentos.

O fato de alguém rever a sua história, diversas vezes, de uma forma editada e produzida pode mudar a sua percepção da realidade em relação aos fatos passados. Como uma metacriação da própria existência.

Quem sabe é o início de uma forma super alternativa de psico-terapia?

2. Consciência da própria obra.

Fiquei impressionado com o foco técnico em que Jonathan conduzia a discussão após o filme, como se ele não tivesse uma consciência maior do impacto da sua obra.

Revelou ao final do bate-papo que não tinha uma idéia sólida se haveria arrependimento no futuro de ter criado tal filme e ter se exposto de tal maneira.

Durante a exibição fiquei pairando sobre o que seria realidade e o que seria ficção, como numa grande indecisão entre tirar um ciso sem anestesia ou conviver com a dor de dente. Seja qual fosse o final, seria doloroso igual.
Há uma cena em que ele está ao telefone (foto) recebendo notícias sobre a overdose de lítio de sua mãe. Nem mesmo neste momento ele esquece sua relação com a câmera.
A tristeza da notícia já é dolorosa o suficiente, mas imaginar que nem mesmo neste momento ele perde a noção do seu “personagem” dentro do seu “possível” filme é algo realmente perturbador.

Tal momento fez conversarmos sobre o real papel que este intrumento teve em toda a vida de Jonathan.

3. O Papel da Câmera.

Quando Jonathan tinha 11 anos, ele se filmou em close num quarto escuro, travestido em drag, impersonando uma jovem americana sulista abusada pelo marido. A atuação é impressionante. Muito do conteúdo são idéias provenientes de programas de TV, mas boa parte da narrativa é construída por fragmentos de desabafos feitas por sua mãe Renee em momentos de delírio.

A câmera parece ter sido parte cúmplice, parte refúgio da dura realidade de Jonathan. É impressionante a sua obcessão pelo registro dos momentos da sua vida.

Em um momento da discussão pós-exibição, Jonathan deixa claro que “não é narcisista”. Declaração totalmente contestável após ver vários minutos de caras e bocas suas na tela, além de ele comunicar em seu discurso pré-exibição de que não se tratava de um documentário e sim de um filme experimental gay.

Me parece que assim sendo, a câmera escuta, conforta e o leva pra fora da sua realidade. Criando assim um recurso que o torna um personagem ficcional da própria vida.

Jonathan está em produção de 3 outros filmes. É possível que seu talento seja capaz de ultrapassar as expectativas do público construídas pela exposição do freak-show da sua família (comparada pelo próprio diretor às personagens de Pink Flamingos de John Waters).

Caso contrário pode ser bem duro ter que “sair do personagem”.

Upside Down ll!M

Mapa Mental e Charles Watson

Tuesday, May 8th, 2007

Mind Map do Processo Criativo - Charles Watson

Já faz algum tempo que eu uso mind maps (mapas mentais) para organizar meus planejamentos.
Mind Maps são diagramas que estruturam idéias de forma semelhante a como as informações são organizadas no nosso cérebro.
Numa época em que existe muito mais informação interessante do que eu jamais poderia absorver, usar Mind Maps para compactar as informações é algo realmente útil. Serve como um .ZIP (ou stuff it para os apple users) de idéias e freqüentemente como um índice da minha memória.

Mas tem algo muito bonito sobre os mapas mentais. É o modo como ele torna possível passearmos pelas nossas idéias, memórias e conhecimentos como se estivéssemos num tabuleiro do jogo da vida. Pra quem já leu J.K. Rowling, numa analogia mega pop (leia-se nerd), digo que é como a penseira (the pensieve) de Albus Dumbledore.

E justamente esta visão externa de nós mesmos, ou como chama o Prof. Charles Watson, o Olhar do Outro, que me é mais útil. Afinal, quem já fez psicanálise sabe que, no fundo no fundo, tem sempre 3 pessoas dentro da sala.

Charles Watson é escocês e professor do Parque Lage no Rio de Janeiro. Ministra aulas e cursos sobre o Processo Criativo e tem um poder quase sobrenatural para “tirar as pessoas da inércia em que se encontram”.

Como eu sempre fiz Mind Maps, mas somente agora comecei a ler formalmente sobre o assunto, resolvi aproveitar que o Charles ia dar de novo o curso O Processo Criativo aqui em Porto Alegre para registrar a minha compreensão do conteúdo em um grande mapa mental.

Foi mais difícil que imaginei. Aí em cima tem uma foto da versão “caneta e papel” que fiz em tempo real. Depois passei pro software de mind mapping que eu uso, e esta parte foi muito legal, porque pude conectar várias idéias dispersas em 4 dias de curso, e interrelacionar diferentes conceitos.

Logo abaixo tem o link do meu mind map do curso Processo Criativo Módulo 1, do Charles Watson. Antes de baixar saiba que:

1. É um PDF de 5.1 Mb. (muito zoom e scroll serão necessários);
2. Mind maps são muito pessoais. Então lembre-se: esta é a minha visão da palestra. Se você tiver alguma opinião diferente, comente aqui no blog. É ótimo conhecer outros pontos de vista.
3. Este mapa serve como um índice para resgate de memórias de quem fez o curso. Quem não fez, não vai entender muita coisa, mas serve para conhecer um Mind Map.
4. Mind Maps são lidos no sentido horário. Tendo como ponto de partida o meio-dia.
5. Mind Maps são super concisos. Porém, optei por manter um nível maior de detalhe. Acredito que com a prática eu consiga ser mais objetivo ainda.
6. Quem se arriscar a imprimir, saiba que algumas imagens estão em resolução de impressão, outras nem tanto.

BAIXE O MIND MAP EM PDF AQUI (5.1 MB)

Bom proveito!

Upside Down ll!M