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CSS no Rise Festival

July 13th, 2008

Hoje fomos no Rise Festival. Um festival gratuito no Finsbury Park, ao norte de Londres.

Foi o primeiro show do CSS que vi com mais músicas novas, o novo baterista e sem a Ira no baixo. A Lovefoxxx estava impagável no seu catsuit de banana. Como se não bastasse, ela tinha um tipo de cachecol dourado, que claramente denunciava carregar algo em bolsos internos nas suas extremidades. Parecia que a Lovefoxxx tinha tido 7 filhos, e amamentado todos na sequência. Eis que no meio do show, ela começa a tirar bananas de dentro da pseudo-manta reluzente, e jogar para o público. Não sem antes “atender” a banana como se fosse um telefone. Ela tinha praticamente um cacho inteiro escondido ali.

O som estava meio ruim, mas a banda parece bem mais coesa. Eu curto boa parte da músicas novas, apesar daquele “frescor” do primeiro disco ter desaparecido. Agora tem mais cara de banda, e menos de experimento. O que é como a Holanda - como diz um amigo meu - é ótimo, mas é uma merda.

As letras em inglês estão mais legais, mas faz falta o sarcasmo non-sense das canções na língua mãe.

Ponto alto do show: Lovefoxxx diz “This song is for the people who have dry vaginas!”. Mas corrige. “I don’t have a dry Vagina”! E adiciona:”No one on this stage has a dry vagina!” (um product placement do KY cairia como uma luva). E então tocaram “Rat is Dead” com uma letra alterada incluíndo o tema ginecológico na narrativa da canção.

Demorei para me dar conta que os coelhos voadores pendurados no teto do palco eram na verdade “Donkeys” prateados em alusão ao disco novo.

Silly me!

Xx,

Will

Os 10 Instrumentos mais Bizarros do Mundo

July 13th, 2008

Moaning Lisa

A foto acima é da Moaning Lisa. Um instrumento musical bizarrísimo assim como outros 9 que se encontram neste link.

Info interceptada no blog do Matias.

:)

Τεμπο Μαλθψο

March 22nd, 2008

Adoro quando meu teclado muda do nada pro grego.
Hoje Londres fez um dia maluco. Tudo mudava a cada 5 minutos.
Teve chuva, sol, vento, neve, granizo, terremoto, tsunami, eclipse lunar e solar, aurora boreal, avalanche, enxame de abelhas africanas, buraco negro, bug do milênio, epidemia de ebola e tempestade de areia movediça.

Nada fácil. Comprei uma carteira em Camden Town azul bebê com uma bola 8 de borracha no meio.

O Cassiano, amigo psicólogo do esporte ex-colega da Manu morador de Barcelona gostou bastante.

O frio tá congelante.

Will

Depois de anos, a internet ainda me surpreende

March 10th, 2008

Achei este vídeo enquanto eu testava a ferramenta Warp! do YouTube.

Agora preste atenção no número de “views” do vídeo (pra você não precisar ir até o youtube eu digo aqui).

São quase 3 milhões.

MRirian, como se auto denomina a menina acima, tem 46 vídeos desses no seu youtube, com média de 500 mil acessos por vídeo.

Tem gente que acha que ela é uma “pedobait”, ou seja, uma menina que se faz de isca para pedófilos, e ganha revertendo os acessos à página em renda de publicidade. Mas não encontrei nenhuma prova de que ela faz qualquer dinheiro com isso. Será o início de um novo estilo de softporn?

Isso já seria doente o suficiente, mas na internet, sempre há um link além. Ela já tem fãs especiais, como Frank, que fez o vídeo abaixo.

http://www.magibon.com/

A internet é ao mesmo tempo a prova de que qualquer pessoa pode conquistar a fama, e de que as pessoas consomem as coisas mais estranhas em termos de mídia.

Se ela se fechasse num website, será que as pessoas pagariam para vê-la?

Elabore se quiser.

Will

PS: E por último, confesse de que em algum momento a paranóia do “viral marketing” te passou pela cabeça. Será que hoje é impossível acreditar em fenômenos naturais de difusão da informação em rede?

Coisas interessantes de se morar no centro do mundo

November 7th, 2007

Will @ Harroween Party 2007

Só fui saber de certas coisas em Londres.

1. Ingleses não usam lençol de cima. Aqui usam o lençol que cobre o colchão e um edredon com capa removível e lavável (nada má a idéia). Usam também uns babadinhos que se coloca ao redor da cama, mas daí já é um pouco demais.
2. Os botões para chamar o verde no sinal de pedestre realmente funcionam.
3. Chineses se referem aos primos como “irmãos”, porque a maioria deles é filho único. Então se você ouvir algum Chinês dizendo “fui visitar meu irmão” há grandes chances de ser o filho da tia dele.
4. Voltando ao assunto do botão de chamar o verde no sinal do pedestre. Sabia que além de funcionar em alguns locais tem DOIS botões? Para no caso de pessoas virem de lados opostos e ter muita gente na calçada esperando.
5. Aqui descobri que indianos não se queimam comendo comida quentíssima com as mãos. Tem que ter a mãnha.
6. As Belgas parecem Alemãs, e as Alemãs parecem suécas, e as Suécas…bom…não conheci nenhuma Suéca. Mas sou vizinho de uma menina da Sérvia. E tem gente que reclamava que no Brasil o dinheiro mudava muito de nome. Imagina o país mudando de nome.
7. Nem no metrô de São Paulo, no meio do verão, em horário de pico, presenciei tanta gente com desodorante vencido.
8. No Halloween vi duas meninas vestidas de “garota do iPod”. Elas estavam todas de malha colante preta, com o rosto pintado de preto, peruca preta e um ipod branco na cintura. Simplesmente sensacional.
9. Aqui, o “catálogo” de DVDs piratas dos camelôs não tem as cores desbotadas. Deve ser porque é Londres. E Londres não tem sol pra desbotar.
10. Dizer que Londres não tem sol é mentira. Tem bastante sol e nem chove tanto (ainda), mas já fica escuro as 17h.

Upside Down ll!M

PS: Sendo Londres ou Madrid, dia 7 de Novembro continua sendo o aniversário do meu velho amigo Tales Tommasini. ¡Feliz Cumpleaños!
PS2: Eu sou o cara de abóbora.

O Poder dos Pequenos Objetos

August 20th, 2007

Chaveiro do ex-apê do Will

Suas presenças parecem inofensivas. Passam ao nosso lado vários momentos das nossas vidas. Eles estão ali, quietinhos, com cara de como se não fosse com eles. Mas os anos passam e lá no fim da trilha descobrimos o que eles fizeram com a gente: os pequenos objetos.

Lembro de quando eu era muito pequeno e ganhei um trenzinho musical. Era de plástico, mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos, movido a pilha, e andava sozinho tocando músicas vindas de um disquinho que encaixava na parte superior da locomotiva. O brinquedo vinha com quatro discos, um de cada cor, com uma musiquinha de cada lado. Funcionava com um mecanismo semelhante ao de uma caixinha de música. Estes disquinhos tinham pequenos pinos que ao rodar dentro da máquina iam marcando as notas em um mini tecladinho.

Logo quando cresci minha mãe passou o trenzinho adiante para alguma criança carente (a Dona Sônia tem um grande coração), mas a forte impressão dele ficou na minha mente pelo resto da vida. Tão profunda foi esta marca que décadas depois os tais disquinhos acabaram figurando na capa do primeiro disco da minha banda, a Wonkavision. Claro que não despidos de um conceito pertinente. Na capa são quatro os discos que representam cada um dos integrantes da banda. Quem conhecia o brinquedo até pode vir a entender que cada disco, por ter músicas distintas, representa as preferências musicais particulares de cada um dos “Wonkas”. A ilustração mostra os quatro discos sobrevoando uma cidade semi-destruída. O álbum leva o nome-trocadilho de “Wonkainvasion”.

Mas as lembranças dos pequenos objetos não precisam ser tão remotas. A própria capa do CD poderia tranqüilamente passar pelo cenário de um dos episódios do Spectreman ou Godzilla, ou qualquer produção japonesa de baixíssimo orçamento onde super-heróis e vilões de proporções gigantes ameaçam a segurança da indefesa Tokyo que dorme abaixo de seus enormes pés.
Eis que três anos após o lançamento deste álbum no Brasil, fomos contratados por um selo internacional para um relançamento do disco no exterior. De onde era o selo? Bingo! Tokyo.

Coincidência? Bem plausível. Mas seja como for, este tipo de influência sobrenatural dos pequenos objetos continua a assombrar minha vida. Vida que aliás anda beirando fortes mudanças.

Há cerca de um ano minha namorada e eu decidimos fazer mestrado fora. Foi um ano preparativo nada convencional, pois são várias etapas até sermos aceitos nas universidades, comprovarmos recursos, emitirmos os vistos, etc. Queríamos encontrar um lugar, de preferência na Europa, onde houvessem boas universidades e uma boa tradição acadêmica em nossas áreas. Depois de alguma pesquisa, muita conversa e alguns tiros de dardos em um mapa-mundi, completamente nus e vendados, optamos pela terra do meu xará Shakespeare, o Reino Unido.
É óbvio que a idéia de estarmos em Londres, o centro do mundo, sendo assim, “rockeiros”, ajudou bastante na escolha.

Mas esta é uma influência mínima se comparada à descoberta que fiz no momento em que devolvia as chaves do meu apartamento alugado na imobiliária.

Coloquei as chaves na mão da atendente e somente então me dei conta do chaveiro que ganhei de presente e que carregava comigo há vários anos.

O chaveiro é este da foto (scroll up, baby!). E eu estou indo no fim de Agosto.

Farewell my friends,

Upside Down ll!M

PS: Não, a Wonkavision NÃO vai acabar. É apenas mais um passinho para a dominação do mundo.
PS2: Disco novo na finaleira da gravação. Novidades por vir.

O Método ABBA

June 17th, 2007

ABBA

ABBA é muito mais que lixo pop sueco.
Preston Mill

Juro que tenho um primo que inspirou o roteiro de Superman 3.

Nos anos 80 ele fez um esquema de transferência de centavos de milhares de contas correntes de um banco americano para a sua conta na Suíca, o que lhe concedeu o título de executor do quinto maior roubo da década.

Estes genes da falcatrua nunca configuraram meus cromossomos, mas o fato de estarmos numa era de filmes que pregam o enriquecimento via manipulação da realidade com receita de física quântica me fez ser compelido a contar a história a seguir.

Muita gente fala que descobriu O Segredo, e que conseguiu subir na vida aplicando uma fórmula de mentalização constante nos objetivos.

Eu digo a vocês que conheci o verdadeiro The Secret do enriquecimento, mas este não veio de um filme e sim de um americano excêntrico que conheci nas minhas andanças, chamado Preston Mill.

Não tive muito tempo de convivência com ele, mas foi tempo suficiente para nos tornarmos amigos e conquistar a sua confiança, recebendo de presente esta carta que apresento aqui.

“ Estimado amigo.

Tenho um talento para ver através das pessoas. Vejo seu coração puro, e por assim ser, confio-lhe o meu segredo.

Tem gente que tenta a loteria. Alguns acreditam no pote de ouro no fim do arco-íris. Outros se matam de tanto trabalhar.

Uma vez fiz um curso com um escocês maluco. Ele me mandou ser criativo. Eu fui.

Você não precisa acreditar no que vou te contar agora. Não sou um vendedor de telemarketing, portanto não tenho a menor intenção de te convencer de nada. Mas se quiser, acredite, conheci o mundo todo, comi nos melhores restaurantes, vesti as melhores roupas, assisti aos mais grandiosos espetáculos artísticos e não gastei um tostão. Nada. Zero.

Ao menos do meu dinheiro.

Confesso que quando eu trabalhava pra me sustentar sempre fui bom pagador. Manter um ótimo crédito na praça é fundamental para nunca mais ter que se pagar por nada na vida. Achou paradoxal esta minha última frase? Não tem nada de antagônico aqui, você vai ver.

Tudo que você precisa é de dois cartões de crédito. E um limite, de preferência, ilimitado.

Na verdade o limite dos cartões de crédito é proporcional ao limite dos seus sonhos, capicce?

Deixa eu ilustrar melhor:

Limite pequeno = sonho pequeno
Limite grande = sonho grande
Sem limte = sonhos inimagináveis

Então pegue e caneta e papel e vamos aos ingredientes:

• 2 cartões de crédito internacionais com o maior limite que conseguir;
• Tais cartões precisam ter datas de vencimento com diferença de 15 dias;
• E devem ser de um banco que ofereça o serviço onde suas contas possam ser pagas pela internet usando os cartões de crédito (nota do tradutor: no Brasil, o Unibanco oferece este serviço);
• Desapego à cidade natal, amigos e familiares;
• Instinto nômade.

Isso é como viver da luz: tem que ter fé. Mas depois que se começa, tudo fica mais fácil.

Comece devagar e coloque todas as contas do mês no primeiro cartão de crédito (o cartão A) .

Aproveite a modernidade. Hoje em dia, alguns sites de banco deixam você pagar suas contas pela internet usando seu cartão de crédito. Use um sistema desses e pague sua conta de luz, aluguel e tudo mais que puder através do site do seu banco, usando o cartão de crédito A.

Bom, agora vem o grande truque. Chega dia 5, o dia do vencimento da fatura do primeiro cartão (cartão A). E obviamente, como instruído, você gastou os tubos e não tem dinheiro nem pra pagar a parcela mínima. Então, o que você faz?

Simples: entra no website do seu banco, e paga a fatura do primeiro cartão (cartão A), utilizando o segundo cartão (cartão B).

A partir de agora, você passa a gastar tudo no segundo cartão, o cartão B.
E quando for dia 20 e a fatura do cartão B chegar, o que você faz?

Ahaaaaaaa! Muito bem! Você paga a fatura do cartão B com o cartão A.

E assim por diante. Fácil, não? A poesia da simplicidade.

OK, agora você deve estar imaginando: “E quando algum dos cartões atingir o limite?”.

Neste momento entra outro ingrediente importante: MILHAS! É claro que você foi esperto o suficiente de ter pego cartões de crédito que te dêem milhas de alguma companhia aérea internacional. Sendo assim, use as milhas e troque por uma passagem de avião pra bem longe.

Aqui é onde a segunda mágica acontece: limite internacional. Cartões de crédito têm limites diferentes para gastos no país de origem e no exterior. Seja esperto e segure um pouco a onda antes de estourar o limite do segundo cartão, lembre-se que você ainda paga o cartão no Brasil. Na hora em que um dos cartões estourar, você terá apenas 15 dias para deixar o país, pois não vai poder mais ficar passando a conta de um pra outro.

A boa notícia é que o limite internacional dos dois cartões te dá o suficiente para se sustentar até conseguir abrir contas em bancos no seu novo país e poder tirar mais dois cartões de crédito. Um passaporte de algum país da união européia faz milagres nesse momento.

Assim que conseguir os novos cartões o processo todo reinicia. Pague o cartão A com o B e o cartão B com o A. Por isso chamo este esquema de o método ABBA. Não somente pelas lógica das letras, mas também porque você vai dançar feito uma Dancing Queen de tanta felicidade ao ver que o dinheiro não é mais impeditivo de nada na vida.

Ser desapegado emocionalmente de parentes e amigos é importante, mas o afastamento não precisa durar pra sempre. Lembre-se que na maioria dos paises, inadimplências como esta levam apenas 7 anos para prescrever. Sendo assim, planeje bem seu itinerário de fuga, pois a cada 7 anos você poderá rever os amigos que fez no último país em que morou.

Falcatrue com moderação. E que a força esteja com você.

Preston Mill ”

Guardo esta carta há uns bons anos. Nunca coloquei o método em prática na sua totalidade, pois tenho planos de vida a longo prazo que têm como cenário um mesmo país.

Porém, o método é bem eficiente para adiar umas continhas enquanto seu dinheiro rende em algumas aplicações financeiras.

Se você for aplicar o método, seja responsável com os que te rodeiam. Nada legal ver o FBI bater na porta da sua casa no Brasil perguntando pelo seu primo quando você tem apenas 6 anos de idade.

Upside Down ll!M

Da série “Quebrando Pequenos Paradigmas” - parte 1

June 1st, 2007

Hot Nescafé Ice

Hoje pela manhã eu quebrei um pequeno paradigma:

Nescafé Ice + LEITE QUENTE

Ficou gostoso. Eles não me enganam.

Upside Down !!iM

O Menu do Fim dos Relacionamentos

May 30th, 2007

Fast Food Menu

O mundo seria um lugar muito mais fácil se todos soubessem que no fundo existem apenas 5 justificativas para o fim de um relacionamento.

Quantas vezes você já teve que explicar como o namoro acabou para cada um dos amigos que te perguntou pela(o) ex? A mesma história contada mil vezes. Quem teve a inciativa? Por quê? Há chance de voltarem?

Para evitar este transtorno, resolvi escrever aqui os 5 únicos motivos para dar cabo de uma relação. Pode parecer pouco, mas qualquer outro motivo que vier a cabeça será apenas uma variação sobre o mesmo tema. A vida às vezes é mais simples do que imaginamos.

Motivo 1: Desamor
“Não sei explicar bem, apenas sinto que não te amo mais”.

Motivo 2: Traição
“Eu sinto que no fundo você me ama e assume a grande bobagem que fez, mas mesmo assim jamais conseguirei te perdoar por ter transado com aquela vadia”.

Motivo 3: Timings diferentes
“Você sabe que eu te amo, e que sempre foi a única na minha vida, mas querer iniciar uma família justo agora que eu finalmente consegui a bolsa pro doutorado? Desculpa, mas não será justo comigo se eu desperdiçar esta oportunidade.”

Motivo 4: Distância Geográfica
“Sempre te amei e sempre fui fiel. Sempre fizemos planos juntos e foi um sonho quando ambos fomos promovidos nos nossos empregos. Mas eu continuei aqui na matriz e você foi transferida para a filial de Juazeiro do Norte.  Não consigo ser feliz te encontrando somente de 3 em 3 meses”.

Motivo 5: Sexo Ruim
“Te amo muito. Nunca olhei para outro homem. Nossas vidas sempre andaram lado a lado. Adoro viver neste casa contigo, aqui na cidade onde crescemos. Mas viver sem sexo decente não dá. Não há casamento que se sustente.”

Havia um tempo em que eu acreditava que o motivo 5 era “troca de opção sexual”, mas vi que esta opção estava na verdade incluída na questão do “sexo ruim”. Afinal, se um cara resolve jogar no outro time, o pior sexo do mundo certamente será com a sua futura-ex-esposa.

Além disso, existe algo no mínimo curioso. Na maioria das vezes, os motivos vêm em dupla. Normalmente numa configuração de causa e conseqüência. Podendo ficar muito parecido com um pedido no balcão de um fast food.

• “Ele me traiu e então o amor acabou” (nº 2 e nº1, e um sundae pra acompanhar.)
• “Ela quis ir pra Alemanha, mas eu tinha meus planos aqui e decidi não ir junto” (nº 4 e 3)
• “Eu amo ele, mas eu estava realmente necessitada de algo a mais, então resolvi me aventurar com o Marcão lá da academia.” (nº5 e 2)

E ainda existem aqueles que são extremistas:

• “Ele tava sempre vendo o futebol na TV, então eu fui pro Azerbaijão”. (nº3 e 4)
• “Ele largou o empregão que tinha e desde então o sexo ficou sem graça”. ( Curioso, não? - nº 3 e 5)
• “Peguei ela no flagra e depois descobri que ela já tinha me traído muitas vezes” (nº2 e nº2 e nº2 e nº2 e nº2 e nº2 e nº2…dízima periódica)

Uma vez lembro que comentei esta idéia com uma amiga e ela questionou o fato de ter apenas 5 motivos. Achava muito pouco, argumentando que as relações humanas eram mais complexas e diversificadas. Para contestar minha teoria, com um ar desafiador, comentou que um ex dela tinha morrido num acidente e só por isto não estavam mais juntos. Me encarou com um olhar de “esta situação você não havia previsto”.

Hesitei por alguns segundos, pensei bem e então disse:

“Morte é nº 4, distância geográfica”.

Upside Down ll!M

P.S.: Após várias perguntas de “Você terminaram?” quero deixar claro aqui que não acabei o namoro e que estamos mais felizes do que nunca. Mandem presentes, heheh.

Tarnation de Jonathan Caouette

May 24th, 2007

Jonathan Caouette - Tarnation

Ontem minha namorada e eu fomos assistir à exibicão do filme Tarnation, do agora cineasta Jonathan Caouette, o qual estava presente na sessão e comentaria o filme após sua exibição.

O filme é um híbrido realidade-ficção (95/5) feito de reciclagem de documentações em diversas mídias captadas pelo próprio diretor no decorrer de 20 anos de sua vida.

Caouette conta a história da sua família disfuncional através de filmes super 8, VHS, betamax, fotos e mensagens de secretária eletrônica, tudo editado no iMovie, dentro de um iMac que ganhou da tia do seu namorado.

Não vou me estender muito na descrição, pois vocês podem encontrar informações sobre o filme na web. Mas apenas para situar, fiz um enxuto mindmap das principais relações da vida de Jonathan (lembre-se de ler o mapa em sentido horário começando as 12h).

Tarnation MindMap

Algumas considerações:

1. Algo que a maioria de nós jamais terá.

Jonathan tem algo que a maioria das pessoas jamais terá: a oportunidade de rever seu passado infinitas vezes numa tela de cinema ou TV.

A primeira coisa que me veio a mente foi pensar se esta superexposição ao filme do seu próprio passado não faz com que ele se desatache da sua vida, passando a enxergá-la como ficção, e assim ficando cego em relação a miséria da realidade. Quanto mais vê, menos enxerga. Normalizando a montanha russa de sentimentos.

O fato de alguém rever a sua história, diversas vezes, de uma forma editada e produzida pode mudar a sua percepção da realidade em relação aos fatos passados. Como uma metacriação da própria existência.

Quem sabe é o início de uma forma super alternativa de psico-terapia?

2. Consciência da própria obra.

Fiquei impressionado com o foco técnico em que Jonathan conduzia a discussão após o filme, como se ele não tivesse uma consciência maior do impacto da sua obra.

Revelou ao final do bate-papo que não tinha uma idéia sólida se haveria arrependimento no futuro de ter criado tal filme e ter se exposto de tal maneira.

Durante a exibição fiquei pairando sobre o que seria realidade e o que seria ficção, como numa grande indecisão entre tirar um ciso sem anestesia ou conviver com a dor de dente. Seja qual fosse o final, seria doloroso igual.
Há uma cena em que ele está ao telefone (foto) recebendo notícias sobre a overdose de lítio de sua mãe. Nem mesmo neste momento ele esquece sua relação com a câmera.
A tristeza da notícia já é dolorosa o suficiente, mas imaginar que nem mesmo neste momento ele perde a noção do seu “personagem” dentro do seu “possível” filme é algo realmente perturbador.

Tal momento fez conversarmos sobre o real papel que este intrumento teve em toda a vida de Jonathan.

3. O Papel da Câmera.

Quando Jonathan tinha 11 anos, ele se filmou em close num quarto escuro, travestido em drag, impersonando uma jovem americana sulista abusada pelo marido. A atuação é impressionante. Muito do conteúdo são idéias provenientes de programas de TV, mas boa parte da narrativa é construída por fragmentos de desabafos feitas por sua mãe Renee em momentos de delírio.

A câmera parece ter sido parte cúmplice, parte refúgio da dura realidade de Jonathan. É impressionante a sua obcessão pelo registro dos momentos da sua vida.

Em um momento da discussão pós-exibição, Jonathan deixa claro que “não é narcisista”. Declaração totalmente contestável após ver vários minutos de caras e bocas suas na tela, além de ele comunicar em seu discurso pré-exibição de que não se tratava de um documentário e sim de um filme experimental gay.

Me parece que assim sendo, a câmera escuta, conforta e o leva pra fora da sua realidade. Criando assim um recurso que o torna um personagem ficcional da própria vida.

Jonathan está em produção de 3 outros filmes. É possível que seu talento seja capaz de ultrapassar as expectativas do público construídas pela exposição do freak-show da sua família (comparada pelo próprio diretor às personagens de Pink Flamingos de John Waters).

Caso contrário pode ser bem duro ter que “sair do personagem”.

Upside Down ll!M