
No museu de arte moderna (MAM) no RJ fui ver uma exposição chamada “Arte para Crianças”. As explicações sobre as obras permitem que as crianças compreendam e interajam com algumas peças. E claro que tudo que serve pras crianças serve mais ainda para os adultos. Muito bonita a exposição.
Algumas que gostei mais, com a transcrição da explicação sobre a obra.
“Eder Santos faz arte usando filme. Só que os filmes do Eder não são para passar no cinema, nem para contar histórias. Eles servem para criar mundos paralelos, mundos que são parecidos com o nosso, mas onde tudo funciona de forma diferente. Esses filmes são projetados em salas e misturados a objetos verdadeiros. Eder quer que as pessoas não saibam se o que elas estão vendo é real ou fantasia. Os mundos paralelos do Eder, às vezes parecem reais. Nosso mundo é que fica parecendo de mentira. O Eder faz isso para falar de coisas importantes como, por exemplo, a liberdade. Estar preso ou estar livre: os dois se misturam nos mundos criados pelo artista. Os bichos e pessoas dos filmes do Eder parecem seres holográficos - seres feitos de luz - que vivem em outro mundo. Nós sabemos que esse outro mundo é apenas a imaginação do Eder. Mas será que ele é real ou é apenas uma invenção?”
As peças da Yoko Ono também são interessantes, mas acima de tudo simples e profundas. Ela traz a questão das pessoas poderem amar mais umas às outras, simplesmente por amar. Isso é simples e complexo ao mesmo tempo. Porque amar os outros faz bem pro mundo, faz bem pra gente mesmo, mas não é algo fácil. Ela incentiva também as pessoas a imaginar mais (e me lembrou a música Imagine do Lennon), voar mais. Enfim eram várias as palavras e não me lembro de todas. Mas a peça que mais gostei foi das árvores do desejo. Tinham vários papéis em formato de folhas onde as pessoas podiam escrever seus desejos e pendurar nelas. Achei sensacional o fato de várias crianças terem participado, e teve um desejo que achei tri engraçado. A foto tá pessima, mas dá pra ler mais ou menos.
Pra finalizar, não posso deixar de citar a poesia do Manoel de Barros: Histórias da Unha do Dedão do Pé do Fim do Mundo. Apresentada através de uma vídeo-história elaborada especialmente para a exposição.
“O Manoel de Barros nasceu num lugar que, de tão longe que fica, ele chama de “Unha do Dedão do Pé do Fim do Mundo”. Fica bem perto da fonte das palavras, e por causa disso, o Manoel desde pequeno, gosta de brincar com palavras. Manoel passa a vida brincando com um monte de palavras que ele coloca no bolso. De vez em quando ele tira um punhado delas e joga na gente como se fosse um pó mágico. Mas são palavras meios mágicas mesmo, porque fica todo mundo encantado. Ficar encantado com palavras significa ficar preso a elas. Para desencantar, a pessoa tem de achar suas próprias palavras mágicas e jogar na cabeça. É muito perigoso: pode-se acabar virando poeta também.
Sou encantada com as palavras, sei o poder que elas carregam consigo. Pra mim elas são um instrumento da vida. Eu amo as palavras e o poder de curar com delas.